5 desafios do empreendedorismo feminino e como enfrentar

A data de 19 de novembro é festiva para todo o mundo, já que nesse dia é comemorado o Dia do Internacional Empreendedorismo Feminino.

A iniciativa vem das Nações Unidas que, em conjunto com várias organizações globais, dão incentivos para que mais mulheres abram seu próprio negócio.

O projeto também colabora para que a desigualdade de gênero no ambiente de trabalho seja combatida.

Pensando nisso, preparamos um conteúdo falando sobre 5 desafios do empreendedorismo feminino e como enfrentar cada um deles.

Além disso, vamos falar de ações de empoderamento feminino no Brasil e no mundo, com dados e informações relevantes. Acompanhe!

Empreendedorismo feminino no Brasil
O empreendedorismo feminino no Brasil fica evidente quando vemos os números sobre esse fenômeno.

Uma pesquisa de 2019 do Sebrae, em parceria com o GEM (Global Entrepreneurship Monitor) revelou que existiam 24 milhões de empreendedoras no Brasil.

O mesmo levantamento apontou que o Brasil está no 7° lugar no ranking de países com maior número de donos de negócios iniciais.

Inclusive, 81% delas empreendem sozinhas; somente 19% têm um ou mais sócios.

Segundo um relatório do MindMiners, a principal razão para abrir uma empresa no Brasil vem de poder ter mais autonomia e liberdade, o equivalente a 57% dos pesquisados.

No mesmo levantamento, 53% buscam novas oportunidades e 35% empreendem para deixar de ser funcionário.

Por fim, 19% afirma abrir uma empresa por estar frustrado com o mercado de trabalho convencional e 18% afirmaram possuir necessidade.

Já conforme o Painel do Empreendedorismo Feminino elaborado também pelo Sebrae, apenas 9,3% milhões de mulheres estão liderando um negócio no Brasil. Desse número, 45% compõem a renda principal da família, com a maior renda do lar.

Quanto à escolaridade, elas são 16% mais escolarizadas que os homens que empreendem, porém seus empreendimentos faturam 22% menos.

Na prática, vejamos o ano de 2018. Se por um lado os homens tiveram uma receita mensal média de R$ 2.344, as mulheres que empreenderam obtiveram apenas R$ 1.831 por mês.

Sobre o MEI, o programa Microempreendedor Individual, 48% deles eram pertencentes a mulheres, com destaque para negócios na área de alimentação, moda e beleza.

Além disso, as micro e pequenas empreendedoras trabalham com comércio varejista de confecções, fábricas e empresas contábeis.

Crescimento do empreendedorismo feminino na pandemia
Se antes da pandemia, o número de mulheres sendo donas do próprio negócio já apresentava uma elevação em comparação a anos anteriores, com a pandemia de COVID-19 esse número cresceu.

De acordo com dados da Rede Mulher Empreendedora, o empreendedorismo feninon aumentou 40% no Brasil no ano de 2020.

Por outro lado, esse alto percentual não é um fato totalmente positivo, já que muitas mulheres abrem um negócio próprio por necessidade, ou seja, quando são, por exemplo, demitidas dos cargos nas empresas.

Mas, uma coisa é fato: o público feminino tem um poder de liderança natural, sabendo lidar melhor com dificuldades, transformando a dificuldade de lidar com dupla jornada em uma chance de progredir na carreira.

5 desafios do empreendedorismo feminino
Felizmente, as mulheres estão conseguindo aos poucos conquistar seu espaço no mercado de trabalho, porém ainda são grandes os desafios enfrentados por elas nesse trajeto.

Saiba então os 5 principais desafios enfrentados pelas empreendedoras:

  1. Preconceito da sociedade
    Sem dúvidas, o preconceito é o primeiro ponto que leva muitas mulheres a sofrerem discriminação no ambiente de trabalho.

Nos últimos anos, essa realidade vem mudando, mas há ainda pessoas que questionam a capacidade de gestão de uma empresa liderada por uma mulher.

Devido a isso, as oportunidades são reduzidas em comparação aos homens, o que acaba gerando a falta de equidade entre os donos de negócio.

Contudo, essa questão tem a ver com o machismo estrutural, outra questão que vem sendo discutida há algum tempo e que felizmente podemos ver algumas mudanças positivas.

Em suma, a sociedade precisa ser conscientizada do papel da mulher enquanto pessoa capaz de empreender e exercer um cargo “tipicamente masculino”, mostrando que a capacidade não tem a ver com o gênero, mas com a capacidade de cada um.

  1. Falta de confiança
    Ainda que elas sejam mais escolarizadas que os homens, a falta de confiança em si mesmas prejudica o poder empreendedor das mulheres.

Sendo assim, somente com melhorias nos quesitos comportamentais e técnicos que elas poderão se sentir mais confiantes em exercer o trabalho que almejam.

Portanto, ao buscar o aperfeiçoamento contínuo, a empreendedora terá autoconfiança para se lançar no mercado, se sentindo segura na tomada de decisões.

  1. Dupla jornada
    A vida pessoal das mulheres é bem mais agitada que a dos homens, na maior parte dos casos, uma vez que elas são mães e cuidam das tarefas domésticas, ocupando-se de uma dupla jornada.

Na teoria, todos sabemos que elas não são as únicas responsáveis pelo cuidado dos filhos e da casa, porém é nítido que a sobrecarga faz grande parte delas abrir um negócio procurando por flexibilidade.

Por isso, equilibrar as tarefas do lar com as da vida profissional ainda é um grande desafio para as empreendedoras e vencer essa dificuldade passa por diferentes fatores.

É preciso contar com uma rede de apoio na família e no negócio que ajude-as a fazer as atividades.

O diálogo também é necessário para demonstrar que o público masculino também é responsável pelas tarefas domésticas e do cuidado dos filhos.

  1. Dificuldade de acesso ao crédito
    Conforme aponta o Sebrae, as mulheres são muito mais adimplentes que os homens. Elas têm uma taxa de inadimplência menor que eles (3,7% versus 4,2%).

Contudo, as empreendedoras enfrentam mais dificuldades no momento de solicitar crédito para abertura/manutenção da empresa, sem contar que pagam 3,5% mais juros que os homens.

Entre as causas, está o fato de os gerentes bancários terem insegurança quanto aos negócios comandados por mulheres, aliado à falta de seguranças delas em técnicas de negociação.

Como forma de superação, as mesmas precisam desenvolver métodos de negociação eficientes, assim como esforçar-se para expressar segurança.

Com autoconfiança e capacidade intelectual, elas podem dar a volta por cima.

  1. Falência da empresa
    Negócios liderados por mulheres possuem tendem a decretar falência mais cedo que os liderados por homens, e isso tem suas razões.

Apesar de não haver uma relação clara de causa e efeito, especialistas acreditam que esse fracasso ocorre devido às condições que a mulher abre o empreendimento.

Como vimos acima, um grande número de mulheres abre um pequeno negócio por necessidade, seja para sobreviver ou complementar a renda.

Logo, com o “desespero” por um ganho urgente e a falta de oportunidades, elas acabam iniciando a empresa sem um plano de ação eficaz ou sem experiência sobre gestão financeira.

Isso acontece justamente por não terem experiências anteriores em que essas habilidades foram necessárias.

Assim sendo, é fundamental que a mulher busque por capacitação, para aprender a lidar com essas questões, tão importantes para qualquer um dos tipos de empresa, principalmente no início.

Aqui, o aperfeiçoamento em cursos, lives, vídeos, encontros e todo material que enriqueça as habilidades pessoais pode servir como preparação para o mercado de trabalho competitivo.

Grandes nomes: mulheres inspiradoras
Nada melhor do que se inspirar nos ícones do empreendedorismo feminino, as mulheres que são trazem representatividade no mercado, concorda?

Veja quem são elas e um pouco da história de sucesso de cada uma.

Luiza Trajano
A dona da rede de lojas Magazine Luiza é, sem dúvidas, uma das maiores representantes do empreendedorismo feminino no Brasil.

Trabalhando desde os 12 anos de idade em uma loja dos seus tios, no município de Franca, em São Paulo, ela conquistou o cargo de CEO da Magazine Luiza no ano de 1991.

Atualmente, a empresa lidera uma das maiores redes de varejo do país, somado ao fato de que a fortuna de Luiza Trajano está alçada em 2,5 bilhões.

Além disso, Trajano é reconhecida por incentivar o empoderamento feninino, tendo um estilo próprio de gestão, pautado na aproximação com os consumidores e no apoio às causas sociais e ambientais.

Camila Farani
Empresária de sucesso, iniciou sua carreira em uma tabacaria da família.

Com 21 anos, pediu que a mãe incluísse coquetéis feitos com café junto da versão tradicional da bebida.

Daí surgiu sua primeira chance de empreender, em vista do crescimento das vendas, o que tornou possível a abertura de um negócio com a mãe.

Anos depois, a empreendedora fundou a G2 Capital, companhia focada em investimentos para organizações de tecnologia.

Cleusa Maria da Silva
A famosa rede de franquias Sodiê Doces, responsável pelo sucesso dos conhecidos bolos artesanais, nasceu da empreendedora Cleusa Maria da Silva.

Cleusa trabalhou como cortadora de cana de açúcar e empregada doméstica antes de empreender.

Sua empresa de sucesso começou quando, devido a um problema de saúde da esposa de seu patrão, a ex-boia-fria assumiu o posto da mulher do seu chefe, que trabalhava fazendo bolos para fora.

Sua ajuda deu tão certo que, em 1997, Silva assumiu a empresa, criando então a Sodiê Doces, situada no interior de São Paulo.

Anos posteriores, Cleusa viu sua marca alcançar o patamar de maior franquia especializada em bolos artesanais do Brasil.

Adriana Barbosa
Uma das mulheres mais poderosas da Forbes, Adriana Barboza é a criadora do festival de cultura negra Feira Preta.

Iniciado em 2002, o festival que começou com quarenta empreendedores e R$3 mil de patrocínio, alcançou em 2019 incríveis 40 mil participantes.

Além disso, Adriana é consierada peloa MIpad dos EUA como um dos negros mais influentes do planeta.

Programas de apoio ao empreendedorismo feminino
Existem programas de apoio, no Brasil e no exterior, que dão suporte e incentivam a liderança feminina.

Rede Mulher Empreendedora
A Rede Mulher Empreendedora é um projeto de Ana Lúcia Fontes, mulher que idealizou a plataforma que hoje é maior e mais consolidada no mercado quando o assunto é empreendedorismo fmeinino.

ElaVence
O ElaVence é um hub criado por Camila Farani, o qual oferece conteúdo, cursos e apoio ao empreendedorismo e ao progresso fenininio no Brasil.

Programa EY Entrepreneurial Winning Women™ Brazil
Nascido em 2012, a iniciativa desenvolve projetos no Brasil e no exterior visando reconhecer, apoiar e fortalecer empreendedoras a expandirem seus negócios.

Dica: conteúdos sobre empreendedorismo feminino no LinkedIn
O LinkedIn é uma rede social voltada para o compartilhamento de experiências profissionais, funcionando também como uma rede que ajuda na ampliação do networking e fortalecimento da carreira.

Nesse sentido, vale a pena seguir mulheres e perfis empreendedores que inspiram o avanço do empreendedorismo feminino. Como sugestões, temos

Nina Silva: afrodescendente e executiva de tecnologia, uma profissional massivamente masculina;
Neivia Justa: jornalista e uma das maiores defensoras femininas do Brasil;
Rede Mulher Empreendedora: a RME é um perfil voltado ao empoderamento fmeinino e apoio a independência financeira das mulheres;
Empreendedoras 55: comunidade de colaboração que oferta uma rede de suporte à mulher, na sua vida profissional e pessoal;
Moving Girls: comunidade digital que oferece treinamento, informação e consultoria para mulheres empreendedoras.

Frases de empreendedorismo feminino
Como forma de incentivo ao empreendedorismo feminino, citaremos duas frases de grandes mulheres:

“Não crie limites para si mesmo. Você deve ir tão longe quanto sua mente permitir. O que você mais quer pode ser conquistado”. (Mary Kay Ash, fundadora da marca Mary Kay);
“Empreendedorismo, para mim, é fazer acontecer, independentemente do cenário, das opiniões ou das estatísticas. É ousar, fazer diferente, correr riscos, acreditar no seu ideal e na sua missão”. (Luiza Trajano, presidente do Magazine Luiza);