A Associação dos Vitivinicultores dos Campos de Cima da Serra (AVICCS) protocolou, em 14 de agosto de 2026, um pedido de registro de Denominação de Origem (DO) para os vinhos produzidos na região. A solicitação foi apresentada ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e representa uma nova etapa na busca por reconhecimento institucional da identidade vitivinícola dos Campos de Cima da Serra.
O pedido ainda não foi aprovado. Conforme as informações divulgadas pela Embrapa Uva e Vinho, o processo entrou na fase de análise do INPI, que deverá avaliar a documentação apresentada pela entidade representativa dos produtores.
Documentação reúne estudos sobre a região
A preparação do pedido foi baseada em estudos técnicos e científicos relacionados às condições que caracterizam a vitivinicultura dos Campos de Cima da Serra. Entre os temas considerados estão o clima, os solos, as variedades de uva utilizadas, os processos enológicos e a paisagem vitícola.
A documentação também contempla informações sobre o sistema produtivo e o enoturismo regional. O conjunto busca demonstrar a relação entre o território e os vinhos elaborados na área, que está localizada entre porções do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.
Além dos estudos, a AVICCS apresentou o instrumento oficial de delimitação emitido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, o caderno de especificações técnicas e a estrutura de controle prevista para o Conselho Regulador. Esses documentos integram a base do processo submetido ao INPI.
Pedido ainda depende de análise do INPI
A Denominação de Origem solicitada pela associação está, portanto, em fase de tramitação. O protocolo não significa que o reconhecimento já tenha sido concedido, e a eventual aprovação dependerá da avaliação do instituto responsável pelo registro de indicações geográficas no país.
A repercussão regional publicada pelo Leouve também destacou a realização dos estudos, a documentação encaminhada e a próxima etapa do processo. A análise deverá considerar as informações técnicas apresentadas pela AVICCS e os critérios aplicáveis ao pedido.
Até a conclusão da tramitação, os vinhos da região não podem ser apresentados como produtos de uma Denominação de Origem já reconhecida. O estágio atual é o de solicitação formal em avaliação, informação que deve acompanhar qualquer divulgação sobre a iniciativa.
Reconhecimento pode fortalecer identidade vitivinícola
O pedido coloca em evidência uma região produtora que busca consolidar sua identidade no mapa dos vinhos brasileiros. A delimitação territorial e a sistematização de características naturais e produtivas podem contribuir, caso o registro seja concedido, para diferenciar os rótulos associados aos Campos de Cima da Serra.
A iniciativa também se relaciona à valorização dos produtores e à proteção da identidade territorial. Ao reunir estudos sobre clima, solos, uvas e práticas de elaboração, o processo organiza elementos que ajudam a explicar a singularidade da produção regional.
Outro eixo incluído na documentação é o enoturismo. A presença de vinhedos, paisagens e propriedades vitivinícolas pode ampliar o interesse por experiências ligadas à produção de vinhos nos municípios abrangidos pela delimitação, embora os efeitos concretos dependam da continuidade do processo e de sua eventual aprovação.
Próximos passos da solicitação
Com o protocolo realizado em agosto, a principal etapa imediata é o exame do pedido pelo INPI. A decisão será tomada a partir da documentação apresentada, que inclui a delimitação oficial, as especificações técnicas e a estrutura de controle proposta para o Conselho Regulador.
Enquanto aguarda a análise, a AVICCS passa a ter formalizada a iniciativa de buscar uma Denominação de Origem para os vinhos dos Campos de Cima da Serra. O processo evidencia o esforço de produtores e instituições técnicas para associar a produção regional ao território e estabelecer critérios próprios de identidade e controle.
O caso amplia o debate sobre a diversidade das regiões vitivinícolas brasileiras e sobre o papel das indicações geográficas na valorização de produtos agropecuários. No caso dos Campos de Cima da Serra, porém, o reconhecimento ainda é uma possibilidade em avaliação, e não uma certificação já concedida.










