Deputado estadual Wilson Santos (Taques) aciona a PGR após imagens mostrarem os dois investigados no mesmo palanque durante lançamento de candidatura no dia 5 de setembro
Um ato político realizado em Sinop no início do mês se transformou em um dos episódios mais discutidos da campanha eleitoral em Mato Grosso. O ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) e o deputado federal Fábio Garcia (União Brasil), ambos investigados na Operação Heritage, dividiram o mesmo palanque durante o lançamento da candidatura à reeleição do deputado estadual Dilmar Dal Bosco (União Brasil), realizado no dia 5 de setembro. O episódio chamou atenção porque os dois políticos estão sob medida cautelar do Supremo Tribunal Federal que proíbe qualquer contato entre eles no âmbito da investigação.
A situação ganhou novos capítulos nos últimos dias, com a Polícia Federal analisando imagens do evento e um parlamentar formalizando pedido de prisão preventiva junto à Procuradoria-Geral da República.
O que é a Operação Heritage
A Operação Heritage foi deflagrada pela Polícia Federal em agosto e apura suspeitas relacionadas a um acordo de R$ 308 milhões firmado entre o Governo de Mato Grosso e a operadora de telefonia Oi. As investigações abrangem crimes contra o sistema financeiro, peculato, lavagem de capitais e organização criminosa. No curso da apuração, o ministro do STF Flávio Dino determinou buscas e apreensões, bloqueios de bens e a proibição expressa de contato entre os investigados, medida imposta como alternativa menos gravosa à prisão cautelar.
Foi justamente essa restrição de contato que passou a ser questionada depois do evento em Sinop, já que Mendes e Garcia apareceram juntos, cumprimentaram-se pessoalmente e, segundo registros em vídeo, trocaram palavras durante o ato de campanha.
Deputado nega descumprimento da ordem judicial
Procurado após o episódio, o deputado federal Fábio Garcia afirmou que o encontro com Mauro Mendes ocorreu no mesmo evento em Sinop e que os dois chegaram a se cumprimentar. Segundo ele, a determinação do ministro Flávio Dino impede que os dois se comuniquem sobre o conteúdo do processo, mas não proíbe que frequentem o mesmo espaço público. Durante sua fala no palanque, Garcia chegou a citar o nome de Mauro Mendes ao cumprimentar as autoridades presentes no evento.
Essa interpretação, no entanto, contrasta com uma declaração do próprio parlamentar em agosto, quando afirmou que, diante da decisão judicial, ele e Mendes não poderiam sequer estar no mesmo local. A diferença entre as duas falas tem sido apontada como um dos pontos centrais da controvérsia em análise pelas autoridades.
Ex-governador alega encontro fortuito
Já o ex-governador e atual candidato ao Senado, Mauro Mendes, classificou o encontro como fortuito e negou ter descumprido qualquer determinação judicial. De acordo com ele, a decisão da Justiça proíbe a comunicação entre os investigados sobre o conteúdo do processo ou a combinação de depoimentos, mas não impede a convivência social em eventos abertos ao público. Mendes argumentou ainda que a exposição diante de centenas de pessoas presentes no ato afasta qualquer suspeita de articulação reservada entre os dois.
A linha de defesa adotada pelos dois políticos, portanto, converge para o mesmo ponto: a alegação de que a proibição judicial se refere à troca de informações sobre o processo, e não à presença física em um mesmo espaço público.
Polícia Federal analisa vídeos do evento
Diante da repercussão do caso, a Polícia Federal deu início à análise técnica dos registros audiovisuais do evento em Sinop, buscando verificar se houve efetivo descumprimento das restrições judiciais impostas pelo STF. Segundo apurado, um dos vídeos anexados ao processo mostra Fábio Garcia declarando abertamente cumprimentar todas as autoridades presentes em nome de Mauro Mendes, o que reforça a discussão sobre a proximidade entre os dois durante o ato político.
A perícia sobre o material é considerada prioritária pelos investigadores, já que pode determinar se as medidas cautelares em vigor precisam ser revistas ou endurecidas.
Parlamentar formaliza pedido de prisão preventiva
O caso ganhou um novo desdobramento com a representação enviada pelo deputado estadual conhecido como Taques ao procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco. No documento, ele pede a formalização, junto ao STF, do pedido de prisão preventiva de Mauro Mendes e Fábio Garcia ou, de forma subsidiária, a imposição de medidas cautelares mais severas contra os dois investigados.
Entre as alternativas sugeridas no pedido estão a instalação de tornozeleira eletrônica com alerta automático de aproximação entre os investigados, a proibição de frequência conjunta a atos de campanha, a suspensão de funções públicas e a retenção de verbas estaduais de publicidade relacionadas ao inquérito. O documento também solicita diligências adicionais, como perícia nos vídeos originais do evento em Sinop e requisição de contratos de mídia da Secretaria de Comunicação do Estado.
Caso ainda está em fase de apuração
Até o momento, é importante destacar que o episódio representa uma controvérsia em análise pelas autoridades competentes, e não uma decisão que já tenha reconhecido o descumprimento da medida cautelar. A checagem das imagens pela Polícia Federal segue em andamento, e cabe ao STF avaliar se houve, de fato, violação da restrição imposta pelo ministro Flávio Dino.
Reportagens publicadas nos últimos dias reforçam que o desfecho da análise pode impactar diretamente a dinâmica das campanhas ao Congresso Nacional e ao Senado em Mato Grosso, já que tanto Mendes quanto Garcia são pré-candidatos em disputa neste ano eleitoral.
Repercussão eleitoral do episódio
O episódio ocorrido em Sinop passou a integrar o debate mais amplo sobre transparência nas alianças políticas durante o período eleitoral de 2026. Colunas e veículos de todo o estado têm chamado atenção para a relação entre candidatos e pessoas investigadas em operações policiais, reforçando que o eleitor tem o direito de conhecer as alianças formadas pelos candidatos e cobrar esclarecimentos sobre a proximidade com pessoas sob investigação.
A discussão em torno do caso deve continuar nos próximos dias, à medida que a Polícia Federal conclui a análise técnica dos vídeos e o Supremo Tribunal Federal avalia os desdobramentos jurídicos do episódio registrado durante o ato político em Sinop.
Fontes:
- https://rdmonline.com.br/mauro-mendes-nega-violacao-de-medida-cautelar-apos-encontro-com-fabio-garcia-em-mt/
- https://novidadesmt.com.br/mato-grosso/operacao-heritage-taques-aciona-pgr-para-pedir-prisao-de-mauro-mendes-por-quebra-de-cautelar-e-suposta-milicia-digital/
- https://agazetadovale.com.br/2026/09/11/eleicoes-2026-antes-do-voto-observe-os-apoios/












