Diante das mudanças que vêm redefinindo o papel das iniciativas sociais no Brasil, algumas experiências se destacam menos pelo volume de recursos mobilizados e mais pela consistência do modelo adotado. O Instituto Visão Conectada, organização por meio da qual Franco Douglas Lima Dias estruturou o Projeto Visão em Dia, é um desses casos. O programa não opera como uma campanha pontual de doação. Opera como uma estrutura de acesso que se repete, se expande e se aprofunda a cada novo ciclo de ações.
A distinção importa. Campanhas de doação resolvem uma demanda momentânea. Um modelo estruturado de triagem e entrega, como o que o Instituto Visão Conectada desenvolveu, constrói um histórico de diagnósticos, amplia seu alcance de forma gradual e chega a públicos que nenhuma campanha isolada conseguiria atingir com a mesma consistência. Os mais de 5 mil atendimentos realizados e os cerca de 2 mil óculos distribuídos não são o resultado de uma ação grande. São o resultado de muitas ações pequenas, bem executadas e acumuladas ao longo do tempo.
O que o Instituto Visão Conectada construiu é, em essência, uma resposta estruturada a um problema estrutural.
O que torna um programa de doação diferente de uma política de acesso?
A diferença está na repetibilidade e na intenção. Uma doação responde a uma necessidade identificada em um momento específico. Uma política de acesso, mesmo quando conduzida por uma organização privada ou do terceiro setor, parte do reconhecimento de que a necessidade é permanente e que a resposta precisa ser igualmente permanente.
O Projeto Visão em Dia, conforme expõe a trajetória do Instituto Visão Conectada, foi construído com essa lógica desde o início. O programa não chegou a uma escola, entregou óculos e foi embora. Chegou, identificou, entregou e voltou. Expandiu para novas unidades. Incorporou instituições especializadas, como a APAE. Cada movimento foi uma resposta à evidência de que a demanda era maior do que a ação anterior havia conseguido alcançar.
Como o Instituto Visão Conectada estrutura suas ações nas escolas?
O modelo operacional do programa parte da triagem individualizada. A equipe chega à escola com equipamentos adequados para realizar avaliações que vão além da detecção de miopia e astigmatismo simples. O ceratocone, doença degenerativa da córnea que exige instrumentos específicos para diagnóstico, já foi identificado em alunos atendidos pelo programa, incluindo dois casos na APAE de Ferraz de Vasconcelos, crianças sem nenhum histórico oftalmológico anterior.

Na concepção de Franco Douglas Lima Dias, que desenvolveu a mesma condição por falta de diagnóstico precoce, a capacidade de identificar casos como esses dentro das escolas é o que diferencia o programa de uma triagem básica. O objetivo não é apenas encontrar quem precisa de óculos. É encontrar quem precisa de atenção oftalmológica antes que a condição avance além do ponto em que a intervenção ainda é mais eficaz.
Por que o alcance do programa cresceu de escolas regulares para a APAE?
A expansão do Projeto Visão em Dia para instituições como a APAE de Ferraz de Vasconcelos não foi uma mudança de direção. Foi uma extensão natural de um programa que, ao documentar os casos encontrados nas escolas regulares, identificou que havia um público com barreiras de acesso ainda maiores aguardando atendimento.
A diretora da APAE, Lara Benute, descreveu com clareza o que a chegada do programa representou para a instituição: “Nossa APAE realmente precisa de ajuda. Todos os alunos que foram beneficiados não tinham condições financeiras para pagar uma consulta.” Para o Instituto Visão Conectada, atender esse público significa adaptar a abordagem sem abrir mão da qualidade da triagem. Cada par de óculos entregue na APAE, assim como nas escolas regulares, foi resultado de uma avaliação individualizada.
O que o modelo do Instituto Visão Conectada revela sobre o futuro da saúde ocular escolar?
A experiência acumulada pelo programa aponta para uma direção que vai além do alcance de uma única organização. O que o Instituto Visão Conectada provou, ao longo de mais de 5 mil atendimentos e 18 unidades de ensino contempladas, é que triagem visual dentro da escola pública é viável, necessária e capaz de identificar condições que o sistema convencional não alcança.
Segundo informações sobre o projeto, Franco Douglas Lima Dias segue com o objetivo de ampliar o alcance do programa. Cada novo ciclo de ações é também uma demonstração de que o modelo funciona e de que a demanda por esse tipo de serviço não diminui à medida que o programa cresce. Ela apenas vai se revelando onde o programa ainda não chegou.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez










