Brasil amplia acesso ao mercado chinês para miúdos e coprodutos suínos

Trabalhadores manuseiam cortes de carne suína em bandejas dentro de uma unidade industrial de processamento de alimentos.

Brasil e China ampliaram as possibilidades de comércio de miúdos e coprodutos suínos brasileiros destinados ao mercado chinês. A revisão do protocolo sanitário bilateral foi assinada em 26 de setembro de 2026 e divulgada dois dias depois pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O acordo estabelece as condições sanitárias e de certificação que deverão ser observadas pelos estabelecimentos interessados em exportar esses produtos.

A medida inclui uma lista mais ampla de itens, entre eles pele, ossos, estômagos, fígado, coração, rins, diafragma, cartilagem, gordura e outros miúdos suínos. Com a atualização, frigoríficos e unidades de processamento brasileiras passam a contar com um novo marco regulatório para buscar acesso ao mercado chinês, desde que cumpram os requisitos definidos no protocolo.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, a revisão pode contribuir para diversificar a pauta de exportações da suinocultura brasileira. O aproveitamento comercial de partes do animal que apresentam menor valor em determinados destinos pode ganhar importância em um mercado com demanda por diferentes produtos de origem suína.

Quais produtos suínos foram incluídos

O protocolo revisado contempla miúdos e coprodutos que vão além dos cortes tradicionalmente associados ao comércio internacional de carne suína. A relação abrange órgãos, tecidos e componentes utilizados por diferentes segmentos da indústria alimentícia e de processamento, como fígado, coração, rins, estômagos, pele, ossos, cartilagem e gordura.

A autorização, no entanto, não significa que todos os produtos já estejam sendo exportados em novos volumes ou que qualquer empresa esteja automaticamente habilitada a vender para a China. O acordo cria as condições sanitárias para o acesso, mas cada estabelecimento interessado deverá atender às exigências de certificação e aos procedimentos aplicáveis ao comércio bilateral.

Essa etapa é especialmente relevante para frigoríficos, cooperativas e empresas que atuam no processamento de produtos suínos. A habilitação sanitária, a rastreabilidade e o cumprimento dos controles oficiais são fatores necessários para que os itens possam ser destinados ao mercado chinês dentro das regras estabelecidas entre os dois países.

Impactos para a cadeia suinícola brasileira

Para a cadeia produtiva, a ampliação do protocolo pode aumentar as alternativas de comercialização dos coprodutos gerados durante o processamento dos suínos. Em vez de depender de poucos destinos ou de mercados com menor remuneração, as empresas poderão avaliar oportunidades em um país que possui grande demanda por produtos suínos e participa de forma relevante do comércio internacional do setor.

O efeito econômico da medida dependerá, porém, da adesão dos estabelecimentos e da capacidade de atender aos padrões exigidos. Empresas que desejarem aproveitar a oportunidade precisarão analisar os investimentos necessários em estrutura, controles internos, documentação, certificação e adequação dos processos de produção.

Na prática, a abertura também reforça a importância do aproveitamento integral da produção. A comercialização de miúdos e outros coprodutos pode melhorar o uso econômico da matéria-prima, reduzir perdas e criar fontes adicionais de receita para diferentes elos da suinocultura. O resultado dependerá das condições de mercado, dos custos de processamento e da demanda efetiva dos compradores chineses.

Protocolo não representa exportação automática

O acordo sanitário deve ser entendido como uma autorização regulatória condicionada, e não como garantia de embarques imediatos. Os estabelecimentos brasileiros interessados ainda precisam cumprir os requisitos previstos e passar pelos procedimentos de habilitação aplicáveis. Por isso, a revisão do protocolo abre uma possibilidade comercial, mas não permite afirmar que as exportações já começaram em escala ampliada.

O Mapa mantém uma área institucional dedicada às regras e orientações de exportação, que reúne informações relacionadas aos procedimentos do comércio exterior agropecuário. Para as empresas, acompanhar as exigências oficiais é parte essencial do processo de preparação para acessar mercados regulados.

A relação com a China também ganha relevância estratégica para o agronegócio brasileiro porque o país asiático é apontado pelo governo brasileiro como um dos maiores mercados consumidores e importadores de produtos suínos do mundo. A atualização do protocolo amplia o leque de produtos que podem ser negociados e fortalece a busca por maior diversificação nas exportações da proteína animal brasileira.

O próximo passo será a adaptação dos operadores interessados às regras acordadas. Com o cumprimento das exigências sanitárias e a habilitação dos estabelecimentos, a revisão poderá transformar miúdos e coprodutos suínos em uma frente adicional de negócios entre Brasil e China.